Autor Convidado posted: "Mariana Seabra da Silva Em pleno ano de dois mil e vinte e um, ainda se ouve muita gente proferir que a violação acontece fruto de acções, comportamentos ou caraterísticas específicas da vítima. É impressionante que, mesmo quando os indivíduos se depar"
Até quando vamos continuar a apontar o dedo à vítima por ter sofrido de assédio, violação ou trauma sexual? Já não basta que estas tenham de lidar com a própria experiência traumática, por si só? Ou a sociedade também tem de cair sobre os ombros das mesmas, dizendo-lhes que as responsáveis por aquilo ter acontecido são elas? Até quando vamos continuar a contribuir para um discurso que perpetua as diferenças e a violência de género, a violência doméstica e no namoro? Até quando? A violação não é culpa da vítima, é culpa do violador. A violação não acontece pela forma como a vítima fala ou veste, se tem mais ou menos tecido no corpo. A violação é um atentado aos Direitos Humanos, é um boicote à Liberdade e à Dignidade Humana.
Empenhemo-nos na mudança dos discursos sociais em casa, no café, com amigos, colegas de trabalho, familiares ou com civis que se cruzem connosco diariamente, principalmente no que respeita ao fenómeno da violação. Empenhemo-nos em educar os homens e as mulheres da sociedade para que a violação não seja vista como algo normal e justificável. Empenhemo-nos em consciencializar as crianças e jovens, adultos e idosos, que o consentimento é a chave principal para o respeito da vontade de cada um, aceitação e empatia pelo outro. Passar a mensagem de que precisamos de saber como o outro pensa e sente, os seus limites e barreiras, para sabermos o nosso lugar.
Por isso, espero que aprendamos a conhecer melhor o 'outro', para podermos aprender o nosso lugar no mundo.
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